As Indicações Brasileiras ao Oscar

A indicação de Ainda Estou Aqui como Melhor Filme é um feito histórico para o Brasil, sendo a primeira vez que uma produção brasileira concorre nessa categoria.

A indicação de Ainda Estou Aqui como Melhor Filme é um feito histórico para o Brasil

Fernanda Torres, atriz brasileira indicada ao Oscar de 2025 na categoria de Melhor Atriz (Foto: divulgação)

A atriz Fernanda Torres, indicada ao Oscar na categoria de Melhor Atriz ao lado de Demi Moore e outras excelentes atrizes, está ativamente promovendo o filme Ainda Estou Aqui pelo mundo desde setembro do ano passado, uma campanha que trouxe bons resultados. O longa, dirigido por Walter Salles e baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, também recebeu indicações em outras duas categorias: Melhor Filme Internacional e Melhor Filme.

A indicação de Ainda Estou Aqui como Melhor Filme é um feito histórico para o Brasil, sendo a primeira vez que uma produção brasileira concorre nessa categoria. O fato de Fernanda Torres ser indicada na mesma categoria que sua mãe, a icônica Fernanda Montenegro, 26 anos após a nomeação por Central do Brasil (1999), também de Walter Salles, gerou grande repercussão. Mas quais foram outros grandes momentos do Brasil no Oscar ao longo desses anos?

Vamos começar por produções totalmente brasileiras que conquistaram indicações à essa grande premiação do cinema. Nenhuma dessas produções brasileiras venceu até hoje.

Melhor Filme Internacional (antes, Filme Estrangeiro)

O Pagador de Promessas (1962)
Primeiro filme brasileiro, e sul-americano, indicado na categoria, em 1963. Dirigido por Anselmo Duarte, o filme narra a jornada do protagonista Zé do Burro, que enfrenta a resistência da Igreja ao tentar cumprir uma promessa feita no Candomblé, tornando-se símbolo de disputas religiosas e sociais até seu trágico fim. O vencedor daquele ano foi Sempre aos Domingos (França).

O Quatrilho (1996)
Dirigido por Fábio Barreto, o filme retrata um drama romântico ambientado na imigração italiana no Brasil. Naquele ano, o vencedor foi A excêntrica família de Antônia (Holanda).

O Que é Isso, Companheiro? (1998)
Dirigido por Bruno Barreto, baseado na história real do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick durante a ditadura militar, o filme é estrelado por Pedro Cardoso e Fernanda Torres. Naquele ano o vencedor foi o filme Karakter (Holanda).

Central do Brasil (1999)
Em um dos momentos mais marcantes da jornada do Brasil no Oscar, a coprodução brasileira e francesa, dirigida por Walter Salles foi indicada como Melhor Filme Estrangeiro, representando o Brasil, perdendo para o filme italiano A Vida é Bela. Além disso, foi nesse ano que Fernanda Montenegro – mãe de Fernada Torres – foi indicada à categoria de Melhor Atriz, ao lado de Meryl Streep, Cate Blanchett, Emily Watson e Gwyneth Paltrow, que foi a vencedora, por Shakespeare Apaixonado.

Outras Categorias

Uma História de Futebol (1998)
Indicado ao Oscar em 2001 – Dirigido por Paulo Machline, o curta foi indicado à categoria de Melhor Curta Metragem em Live Action.

Cidade de Deus (2002)
Indicado ao Oscar em 2004 – Um dos mais conhecidos filmes brasileiros não foi indicado a melhor filme estrangeiro na 76a Edição do Oscar, mas concorreu em cinco outras categorias: Melhor Diretor para Fernando Meirelles, Melhor Roteiro Adaptado para Bráulio Mantovani, Melhor Edição para Daniel Rezende e Melhor Fotografia para César Charlone (um cinematógrafo Uruguaio). O filme não venceu nenhum desses prêmios, porém levou para casa grande reconhecimento.

O Menino e o Mundo (2013)
Indicado ao Oscar em 2016 – Animação de Alê Abreu, foi a primeira indicação do Brasil à uma categoria de animação, conquistando uma indicação à Melhor Filme de Animação. Neste ano, o filme norte-americano Divertidamente ganhou a estatueta.

Democracia em Vertigem (2019)
Indicado ao Oscar em 2020 – Filme de Petra Costa, concorreu na categoria Melhor Documentário, mas perdeu para o documentário estadunidense American Factory.

Presenças Brasileiras no Oscar ao longo do tempo

Além dessas produções, outros artistas brasileiros também apareceram na premiação, com produções internacionais ao Brasil.
A primeira vez foi na 17a edição em 1944, quando Ary Barroso disputou o prêmio de Melhor Canção Original com “Rio de Janeiro,” para o filme Brazil, um musical dirigido por Joseph Santley e estrelado por Tito Guízar e Virginia Bruce. A canção de Barroso perdeu para “Swinging on a Star,” do filme O Bom Pastor.

Já em 1982, o documentário El Salvador: Another Vietnam co-dirigido pela brasileira Tetê Vasconcelos, foi indicado como Melhor Documentário. E em 1986, a coprodução brasileira e estadunidense, O Beijo da Mulher Aranha, dirigido pelo brasileiro naturalizado Hector Babenco, foi indicado ao prêmio de Melhor Filme e Melhor Diretor. Babenco nasceu na Argentina, mas se naturalizou brasileiro em 1977. Nas duas categorias, o filme perdeu para Entre Dois Amores.

O diretor e animador brasileiro Carlos Saldanha também já apareceu algumas vezes nessa premiação, tendo dirigido ou co-dirigido animações indicadas ao Oscar, mas nenhuma produção brasileira. Saldanha dirigiu O Touro Ferdinando, que foi indicado à Melhor Animação e o curta-metragem Gone Nutty (2003), do esquilo da Era do Gelo, indicada à Melhor Curta Metragem de Animação em 2004. Além da indicação nessas categorias, outro filme de Saldanha, Rio (2012) garantiu uma indicação para Sergio Mendes e Carlinhos Brown à Melhor Canção Original, com a música “Real in Rio.”

Em 2022, o brasileiro Pedro Kos foi indicado com seu filme norte-americano, Lead Me Home, na categoria de Melhor Documentário de Curta Metragem.

As regras de indicação ao Oscar às vezes são um pouco peculiares, principalmente para filmes estrangeiros. Nessa categoria, que hoje se chama Melhor Filme Internacional, cada país só pode inscrever um filme por temporada, que por sua vez é escolhido por alguma organização no próprio país. No caso do Brasil, quem escolhe os filmes que o país irá enviar é um comitê da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais. Para ser indicado na categoria de Filme Internacional o filme deve seguir algumas regrinhas de elegibilidade, como ser falado majoritariamente em uma língua que não seja inglês e ser gravado fora dos EUA.

Muitas produções cinematográficas acabam sendo feitas em colaboração com diversos países, e na hora de inscrever o filme nessa categoria os produtores precisam escolher um país para o filme representar. Isso foi o caso do filme Orfeu Negro, gravado no Brasil, com atores brasileiros e falado em português, mas que foi indicado como representante da França, já que foi dirigido pelo cineasta francês Marcel Camus. Nesse caso, quem levou o premio foi a França, mas a nossa cultura ainda ganhou de certa maneira: Orfeu Negro foi o primeiro (e único) filme em português a levar a estatueta de Melhor Filme Internacional.

O Brasil em 2025: Um Novo Marco

Ainda que nenhuma produção totalmente brasileira tenha levado uma estatueta do Oscar para casa, suas indicações já são grandes vitórias. E em 2025 o cinema brasileiro ainda fez a alegria do povo com o filme Ainda Estou Aqui, indicado em três grandes categorias. O filme está bombando nas redes sociais e a campanha de Fernanda Torres e seu time está forte.

Além de todo o reconhecimento que o filme já teve, o seu destaque internacional o trouxe até o Canadá! Ainda Estou Aqui está passando nas salas de cinema em Toronto – em Cineplexes seletos – e no TIFF Bell Lightbox.

Será que 2025 é o ano da vitória brasileira no Oscar? Acompanhe a cerimônia no dia 2 de março de 2025, às 19:00hs, apresentada oficialmente pelo canal ABC. No Canadá, o evento poderá ser visto pelos canais CTV e CTV2.

Advertisement