BRASIL – Crise brasileira sem precedentes

Por Rogério Silva, diretor de jornalismo da TV Paranaíba afiliada Record TV em Minas Gerais e da Educadora FM. É também professor de jornalismo da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação - ESAMC.

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Por Rogério Silva

Crise brasileira sem precedentes

Os analistas mais atentos alardearam que o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, não sepultaria a crise política, seria apenas o estopim para uma grande crise, sem precedentes na história do Brasil. Essa espécie de premonição midiática nos revela agora, em 2018, que a crise rompeu o campo político. Na verdade, dragou outros segmentos para dentro dela e eu destaco os dois mais relevantes: Institucional e econômico.

O presidente Michel Temer (MDB) esforça-se para transparecer uma normalidade na relação entre as instituições, taxando-as de independentes e em pleno exercício de suas funções. Mas o que se vê não é isso: O executivo está em frangalhos, com imagem manchada e sem moral para um levante qualquer de controle da ordem. O STF está rachado, com lados escancaradamente declarados, deixando como fiel da balança a fragilidade esboçada nos autos da ministra Rosa Weber.

O trabalho do Ministério Público Federal questionado aos montes, com carimbos batidos na testa dos mais inflamados procuradores, rotulados de pretensos candidatos a cargos públicos. E o Congresso é a piscina do “salve-se quem puder”. Ninguém ali está preocupado com as pautas de votação, mas em manter-se com seu foro privilegiado, protegido por trás do escudo do Supremo.

O homem de 51 milhões de votos em 2014, o senador Aécio Neves (PSDB), está com as barbas de molho, com a ameaça aos seus ouvidos – “o próximo pode ser você” – depois que o ex-presidente Lula passou à condição de presidiário e criminoso condenado em 2 instâncias.

E como sempre, a interferência dos políticos na debilitada economia nacional. O Brasil não empolga. Ensaia uma reação na geração de empregos, mas são números tímidos. Os indicadores não são ruins – inflação baixa, juros baixos e bolsas passeando com frequência na casa dos 80 mil pontos. Mas no cenário internacional aquela injeção de investimentos não chega. O mundo não confia, não acredita. O Brasil é aquela namoradinha flagrada com seu melhor amigo, mas que jura que não vai mais trair. Como dar crédito de confiança a ela?

Dia desses viralizou pelas redes sociais um vídeo do juiz Sérgio Moro – titular da 3.ª Vara Criminal Federal de Curitiba – invocando um discurso do presidente americano Theodore Roosevelt. A gravação não é nova, tem uns 2 anos, mas o tema não envelhece: “Não existe crime mais sério do que a corrupção. Outras ofensas violam uma lei, enquanto a corrução ataca as fundações de todas as leis. Não existe ofensa mais grave do que a daquele no qual é depositada tão sagrada confiança. É pior que o ladrão. Porque o ladrão rouba o indivíduo, enquanto que o agente corrupto saqueia uma cidade inteira ou o Estado. Ele é tão maligno quanto o assassino, porque o assassino pode somente tomar uma vida contra a lei, enquanto o agente corrupto mira no assassinato na própria comunidade”.
O Brasil sangra. Não estanca apenas com as eleições gerais de outubro. Mas para todo machucado, tem uma cicatriz. Mudança de comando depende de mudança de postura. É uma evolução cultural. Que ela comece.


Texto da edição de #75 da Brazilian Wave – Maio/ Junho.