Prince George, na Colúmbia Britânica, uma comunidade inclusiva

Foi a qualidade da universidade e as oportunidades de financiamento e bolsa de estudos foram o que me fizeram me inscrever para o mestrado em Prince George”, conta Luizmar de Assis Barros, graduado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e mestre pela UNBC.

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A cidade de Prince George, carinhosamente chamada de PG, fica a 750 km de Vancouver e é considerada a capital do norte da província da Colúmbia Britânica

Na primeira reportagem que dá início a esta série sobre a Colúmbia Britânica, nós falamos um pouco de Prince George, a capital do norte da província. Mencionamos que ela é um pólo comercial e de serviços da região e que abriga terras tradicionais da nação Lheidli T’enneh. É lá que fica a University of Northern British Columbia (UNBC), instituição de estudos que conta com linhas de pesquisas em diversas áreas, entre elas se destacam as relacionadas à saúde, aos povos aborígenes e ao meio ambiente.

A cidade, carinhosamente chamada de PG, é rica em áreas de florestas e locais de práticas de esportes ao ar livre e na neve, mas não foram exatamente esses atributos que atraíram Luizmar de Assis Barros, 31 anos, para lá em 2017. “Realmente quem não faz esportes de inverno, acaba ficando um tanto limitado para explorar a vida ao ar livre. A qualidade da universidade e as oportunidades de financiamento e bolsa de estudos foram o que me fizeram me inscrever para o mestrado em Prince George”, conta o brasileiro, graduado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e mestre pela UNBC.

Luizmar em Prince George, BC, com panorama de área florestal ao fundo

Surpresa positiva

A vontade de Luizmar de mudar do Brasil para o Canadá surgiu quando ele teve a oportunidade de fazer parte de seus estudos, durante a graduação, em Toronto, por meio do programa Ciências sem Fronteiras, em 2013. Foi nessa época que ele conheceu seu namorado, Simon Shen. “Eu e Simon começamos a nos relacionar e eu passei a buscar um lugar para fazer o mestrado e poder retornar para o Canadá. Um amigo que havia morado em PG me falava sobre o frio extremo e os dias curtos de inverno, o que me assustava bastante. Porém, havia grandes oportunidades na UNBC. Acabei compartilhando meus planos com minha amiga Jéssica Chaves Cardoso, que foi para PG comigo também fazer o mestrado.”, diz o estudante.

Ele entrou em contato com dois professores da universidade. “Fui aceito no processo seletivo e meu orientador é um cientista bastante renomado na minha área, o que me deu mais motivação em ir para lá”, completa. Apesar de a expectativa inicial ser de que seria difícil a adaptação ao inverno longo e rigoroso de uma cidade de cerca de 72 mil habitantes, Luizmar conta que a realidade o surpreendeu positivamente. “Fui preparado para uma experiência mais complicada e desafiadora, mas a verdade é que me surpreendi. As pessoas são muito amigáveis e receptivas, algo bem diferente do que senti quando estudei em Toronto, em que todos eram mais individualistas e frios. Além disso, a estrutura da universidade é muito boa, com excelentes oportunidades de suporte financeiro para estrangeiros”, diz.

Oportunidade para estrangeiros

Luizmar faz trabalho de campo do curso de mestrado em Prince George, BC.

Luizmar explica que, por ser uma universidade de porte médio e com menos procura em relação às instituições maiores, a UNBC oferece diversas possibilidades de trabalho e bolsas. Segundo ele, normalmente, uma pessoa de outro país paga cerca de três vezes os custos de um local para estudar em uma universidade pública no Canadá, mas em PG este valor é o mesmo para estrangeiros e canadenses. Além disso, há muitas possibilidades de ter os estudos custeados e até receber uma bolsa para dar conta das despesas pessoais enquanto estiver estudando, que foi o caso dele. Vale ressaltar que, em 2021, a UNBC foi eleita pela terceira vez em sete anos a melhor universidade de pequeno e médio porte do Canadá pela Maclean’s Magazine.

Comunidade inclusiva

Luizmar em cadeira feita de gelo
durante festival de inverno em
Prince George, BC

Outro aspecto que chamou a atenção do doutorando foi o respeito e a inclusão da comunidade LGBTQIA+. “ Como uma pessoa gay e cristã, me tocou especialmente o fato de eu presenciar um casamento homoafetivo de uma amiga minha em uma igreja da cidade, que eu frequentava semanalmente. Foi surreal poder viver este momento”, conta Luizmar. “Então, PG foi uma surpresa para mim, porque vim preparado para o frio do clima e a solidão e encontrei calor humano e acolhimento”, conclui ele, que hoje é estudante de doutorado também na UNBC, tamanha foi a boa experiência que teve em Prince George. Com a pandemia, o estudante mora atualmente com o namorado Simon em Mississauga (ON), mas tem planos de voltar à PG para as pesquisas de campo e para visitar os amigos que fez por lá.

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