Conheça para respeitar – Um guia sobre diversidade sexual e de gênero

Um jeito fácil de entender as identidades LGBTQIA2S+ com ajuda de personagens da TV e do cinema

Junho é celebrado como o Mês do Orgulho LGBTQIA2S+, um período dedicado à visibilidade, à celebração da diversidade e à luta por direitos da comunidade.

Com isso, você pode estar se perguntando: mas o que significam todas essas letras? Por que a sopa de letrinhas só fica cada vez maior? E os arco-íris?! Vamos então detalhar alguns dos principais termos dessa sigla.

Para facilitar o entendimento, vamos tentar explicar, com a ajuda de personagens icônicos da televisão brasileira e do cinema, o que essas inúmeras e complicadas letrinhas querem dizer.

Além de ser de fácil acesso hoje, a televisão e as plataformas de streaming, podem ter uma grande influência na vida de alguém — e esse impacto vai muito além da tela. Personagens vivem através de fanfics, redes sociais, vídeos editados e muito mais. Para algumas pessoas, eles se tornam parte significativa de suas vidas cotidianas. Pessoalmente, a televisão me ajuda bastante quando o assunto é discutir sexualidade. Mencionar personagens para explicar determinadas experiências queer virou meu recurso principal diante da minha ignorância — e foi por isso que decidi criar este pequeno guia. Vamos lá!

Orientação Sexual e Identidade de Gênero

Orientação sexual é o termo cientificamente correto para descrever a atração física, romântica e/ou emocional de uma pessoa por outra, segundo a organização Gay & Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD). Isso pode incluir, por exemplo, ser heterossexual, lésbica, gay ou bissexual, entre outras possibilidades. Vale notar que a orientação sexual de uma pessoa é independente de sua identidade de gênero.

Identidade de gênero, segundo o glossário da Human Rights Campaign, não tem a ver com quem você se atrai, mas com “quem você É”. A identidade de gênero é “o conceito mais profundo que uma pessoa tem de si mesma como homem, mulher, ambos ou nenhum dos dois — como ela se percebe e como se identifica.” Algumas pessoas podem se identificar como mulheres, homens, pessoas de gênero-fluido ou não-binárias, por exemplo.

A identidade de gênero de alguém pode ou não estar alinhada com o gênero atribuído ao nascer (o que muitas vezes quer dizer se a médica disse que o bebê é menino ou menino), e é aí que entram os termos cisgênero e transgênero. Segundo o mesmo glossário, cisgênero é a pessoa cuja identidade de gênero corresponde ao sexo atribuído no nascimento. Já transgênero é um termo guarda-chuva para pessoas cuja identidade de gênero difere do sexo que lhes foi atribuído ao nascer. Deu para entender?

L —Lésbica

A primeira letra da sigla LGBTQIA2S+ é o “L”, que representa lésbica. Segundo o glossário da GLAAD, lésbica é um termo usado por mulheres e pessoas não-binárias que se sentem emocional, romântica ou sexualmente atraídas por outras mulheres.

Temos um exemplo atual na televisão brasileira, o casal Laís e Cecília no remake da novela Vale Tudo. É interessante notar como esse tipo de representatividade mudou desde quando a novela foi ao ar pela primeira vez em 1988. Naquela época, o casal não foi bem aceito e os escritores acabaram optando por matar uma delas e encerrar esse assunto na TV. No remake, as duas voltaram para ficar e a novela promete mais conversas sobre temáticas LGBTQ+.

G —Gay

Gay pode ser um termo bastante amplo. Oficialmente, é usado para descrever pessoas que se sentem emocional, romântica ou sexualmente atraídas por pessoas do mesmo sexo. Embora qualquer pessoa possa se identificar como gay, o termo é mais comumente usado para se referir a homens gays.

Considerando a teledramaturgia em português, o personagem Feliz de Amor à Vida (2013), interpretado por Mateus Solano, é um bom exemplo de um personagem LGBTQIA2S+ que conquistou as audiências e abriu portas para conversas importantes.
Outros personagens de novelas e cinema: O casal Pablo Sanches (Rafael Infante) e Willian (Diego Montez) da novela Bom Sucesso (2019), e o casal Elio e Oliver, interpretados por Timothée Chalamet e Armie Hammer no filme Me Chame Pelo Seu Nome (2017).

B — Bisexual

Uma pessoa bissexual é alguém que sente atração por mais de um gênero. O “bi” em bissexual se refere a pessoas do mesmo gênero e de gêneros diferentes do seu. O termo abrange uma ampla gama de identidades e, às vezes, serve como termo guarda-chuva para pansexualidade e sexualidade fluida.

Na dramaturgia brasileira, um exemplo de uma personagem bisexual é a Laura, interpretada por Cláudia Abreu na novela Celebridade (2003), que se envolvia com homens e mulheres. Porém, vale lembrar que só porque alguém é bisexual não quer dizer que essa pessoa estará sempre se envolvendo com várias pessoas.

Outros exemplos nas novelas e no cinema: a personagem Lica (Manoela Aliperti) de Malhação: Viva a Diferença (2017) e da série As Five (2020). E no cinema, o filme Bohemian Rhapsody mostra um pouco da vida do cantor Freddy Mercury, que era bisexual.

T — Trans

Transgênero, ou trans, é um termo usado para descrever pessoas cuja identidade de gênero é diferente do sexo que lhes foi atribuído ao nascer. Ser trans não depende de aparência física ou procedimentos médicos: isso é algo que pertence à identidade pessoal de cada um. Logo, o importante é só ouvir e respeitar.

Na televisão brasileira e lusitana, ainda é raro ver representações trans tão profundas quanto em produções internacionais. Nas novelas, uma personagem que trouxe à tona debates importantes sobre transexualidade e identidade de gênero foi o Ivan, da novela A Força do Querer (2017), interpretado por Carol Duarte.

Q — Queer

O termo queer pode ser usado para descrever pessoas cuja orientação sexual não é exclusivamente heterossexual. É um termo guarda-chuva, que engloba tudo que foge da norma heterossexual ou heteronormativa. É um termo mais comum em países de língua inglesa, mas tem se expandido para outros idiomas.

Na televisão, muitos personagens têm rótulos claros e poucos se definem explicitamente como queer. Mas, de certa forma, muitos podem ser vistos assim, já que queer pode ser usado como um termo guarda-chuva.

I —Intersexo

É um termo atribuído a quem nasceu com características biológicas que estão fora do binário masculino/feminino (como anatomia, cromossomos e/ou hormônios). Ser intersexo não é a mesma coisa que ser transgênero.

Um exemplo na televisão brasileira é a personagem Buba em “Renascer“. A personagem Buba foi retratada como intersexo na primeira versão da novela, exibida em 1993. Essa representação foi elogiada por abordar a diversidade de gênero e sexualidade de forma inclusiva.

A — Assexual

A assexualidade é uma orientação sexual que tem como principal característica a falta de atração sexual por outra pessoa, independentemente de gênero. Segundo especialistas, os assexuais não gostam, não querem e não sentem nenhuma necessidade de fazer sexo. O que não quer dizer que não tenham atração afetiva por seus pares. Na televisão brasileira é o personagem Caíque, interpretado por Thiago Fragoso, na novela “Travessia” da TV Globo.

2S —Two Spirits

Nas comunidades das Primeiras Nações em todo o Canadá, pessoas Dois-Espíritos (Two spirits) são indivíduos indígenas que incorporam espíritos masculinos e femininos e que também podem se identificar como lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer ou não heterossexuais.

O termo “Dois Espíritos” foi cunhado em 1990 em uma conferência internacional em Winnipeg e é usado como uma ferramenta de organização comunitária e uma forma de os povos indígenas se conectarem com seus costumes e culturas tradicionais.
Vários programas de TV no Canadá – a maioria deles documentários – apresentaram o termo “dois espíritos”, explorando as identidades e experiências de indivíduos LGBTQ2S indígenas.

No Reality Show The Amazing Race Canada, Anthony Johnson e James Makokis, um casal vencedor que se identifica como two-spirit, compartilharam suas experiências no programa.

Não-binários e outros

Assim como trans, não-binário é uma identidade de gênero. Alguém não-binário é alguém que enxerga sua identidade de gênero para além das categorias de “homem” ou “mulher.” Muitas vezes essas pessoas preferem usar pronomes neutros para se referirem a si mesmas. Em português isso se dá com neologismos “elu/delu,” e no inglês com o pronome neutro “they/them.” Mas ainda, como sinal de respeito, pode ser interessante perguntar quais pronomes a pessoa prefere usar e também oferecer os seus (mulheres costumam usar “ela/dela” e homens, “ele/dele.”)

Na televisão, a presença de personagens não-binários ainda é pequena, mas cresce lentamente. No Brasil e em Portugal, a discussão sobre não-binariedade ainda está começando a aparecer, mas existe um movimento crescente na cultura jovem e em produções independentes para dar voz a essas experiências.

A série britânica da Netflix Sex Education se destaca por apresentar Cal Bowman, uma personagem não-binária que enfrenta desafios comuns a jovens em ambientes conservadores, mostrando que a identidade vai muito além do gênero.

Fizemos aqui um panorama rápido de alguns termos importantes para entender muitas das identidades LGBTQIA2S+ que estão sendo celebradas neste mês de junho. A sopa de letrinha das identidades queer vai muito além de só isso aqui, mas é um começo.




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