DJ BIA Vivendo um sonho no Canadá

Conhecida pelo nome de BIA, esta DJ brasileira autodidata está chamando a atenção no cenário musical canadense. Através do funk brasileiro e da música eletrônica, com apenas um ano e meio de carreira, BIA já se apresentou nos clubes mais conceituados de Toronto, o que a levou a se apresentar em outras províncias do país.

Beatriz Lima é originalmente de Maceió, capital do estado de Alagoas. A jovem se mudou com sua mãe para o Canadá de forma definitiva em 2022, após sua tia, que já morava por aqui, tê-las convencido a fazer o mesmo. Beatriz já havia passado alguns meses em terras canadenses três anos antes, o que a ajudou a aprimorar o inglês que já possuía. O Canadá foi a sua primeira experiencia no exterior.
A Wave conversou com a DJ sobre sua carreira.

ENTREVISTA COM A DJ BIA, TORONTO

DJ BIA (Foto: divulgação)

Wave – Quais as suas influências musicais e como você iniciou sua carreira?
BIA – Eu diria que tenho muitas influências musicais, sou bem eclética… Vai desde Vanessa da Mata até Vintage Culture (um dos meus DJs de música eletrônica favorito). Diria que tenho influência em várias vertentes musicais!
Minha carreira se iniciou em torno de um ano e meio atrás. Sempre tive influência de música, desde novinha, aprendi a cantar, tocar violão e piano sozinha. Me lembro que bem novinha eu já pedia instrumentos musicais de presente. Quando adolescente me apaixonei por música eletrônica, e indo para as minhas primeiras festas eu fui entendendo o que os “DJs” faziam e me apaixonei mais uma vez. Minha oportunidade só veio de fato, após vir ao Canadá pela segunda vez, quando então decidi que não queria deixar aquilo só como um “e se “. Juntei uma grana e sem falar para ninguém comprei minha primeira controladora, treinando aqui, vendo vídeos online ali, e conversando com conhecidos, apenas 4-5 meses depois de ter comprado minha controladora, eu tive a oportunidade de tocar em uma balada já bem renomada em Downtown Toronto, chamada Door Three.

Wave – Você veio para o Canadá já pensando em construir sua carreira como DJ por aqui? Como foi o início?
BIA – Não, acho que antes de vir para cá, eu nunca de fato imaginei que minha carreira como DJ poderia dar certo. Para mim o início foi difícil pela insegurança, já que tive pouco tempo para realmente me preparar como DJ antes de tocar nos primeiros clubes. Eu sempre ficava insegura de não tocar bem o suficiente, mas as oportunidades só aparecem quando nos colocamos para o mundo, então acho que tomei a decisão correta!

Wave – Hoje você vive só de sua carreira como DJ ou você tem outro trabalho? Quais trabalhos você precisou fazer para chegar até aqui?
BIA – Atualmente trabalho com marketing digital também, mas posso dizer que minha carreira como DJ vem me trazendo bons frutos. Espero que logo consiga me manter 100% com os lucros da minha carreira. Já trabalhei como server, bartender e construção, entre outros. Todo o início é mais difícil, mas sou grata a tudo que me trouxe até onde eu estou hoje.

Wave – Conte-nos sobre como é ser uma DJ brasileira no Canadá. Quais os desafios e a receptividade sobre ser do Brasil e ser mulher.
BIA – Na minha concepção existem muitas vantagens e desvantagens. Ser uma mulher nessa área é diferente, não existem tantas no mercado, especialmente brasileiras, então acabou me dando um destaque maior. Mas também ser mulher nesse meio é mais complicado, as pessoas já julgam, outras acham que podem tirar vantagem, e eu sempre tenho que saber como me portar e exigir meus direitos.

Wave – Existe diferença entre o público daqui e no Brasil?
BIA – Eu nunca cheguei a me apresentar no Brasil. Algumas propostas já chegaram, mas estou me organizando para que tudo saia da maneira correta e na hora certa! Mas diria que existe sim uma diferença de público, acho que aqui por termos um público menor e bem diversificado, o meu trabalho como DJ é mais difícil, por que tenho que agradar públicos e gostos bem diferentes.

Wave – Quais os planos para 2024?
BIA – Muitas coisas legais a caminho! Quero evoluir todo dia um pouco mais como DJ, por ter apenas 1 ano e meio de carreira, acho que ainda estou me conhecendo e me descobrindo como artista. Muitas músicas para virem aí, lancei minha primeira música esse ano, e já estou com outras duas para virem!

Wave – Quais conselhos você daria para quem busca construir uma carreira musical em Toronto?
BIA – Acredite em você, treine, e use todos os recursos que conseguir ao seu favor. Esse ano eu entrei em um programa do governo chamado “Remix Project”. Todos os anos eles fazem entrevistas e escolhem em torno de 30 alunos, e temos acesso a estúdios, equipamentos de DJ, aulas de produção musical, DJ, administração de carreira. É muito legal e acho que todos que pensam em iniciar sua carreira deveriam se inscrever e tentar aproveitar essa oportunidade. Tenho aprendido muito lá!

Wave – O que a BIA de hoje diria para a Beatriz que estava chegando ao Canadá?
BIA – Uma frase que definitivamente diria é: não se preocupe, tudo vai valer a pena no final. Estou vivendo um sonho que tenho desde novinha. Estar aqui, hoje, também é uma vitória da Bia que, lá atrás, estava chegando no Canadá. Muitas vezes eu me desacreditava e queria voltar para o Brasil. Hoje sei que todos os altos e baixos que passei durante a minha trajetória, estavam me preparando para o momento que estou vivendo agora.

Wave – Algo a acrescentar?
BIA – Apenas agradecer a Brazilian Wave pela oportunidade de estar aqui contando a minha história. Também, à minha mãe e minha família por me apoiarem e acreditarem no meu potencial. Sem esquecer de todos os que gostam de mim e querem ver o meu sucesso!


Agradecimentos a @papi.aq

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