A profissional multifacetada vem se destacando na carreira desde o seu começo de carreira, há quase 38 anos.

Ela tem uma trajetória de sucesso como atriz e diretora, não somente por ser filha de quem é – nada mais, nada menos do que dos saudosos atores Dina Sfat e Paulo José, dois monstros sagrados da teledramaturgia brasileira –, mas por todo o seu talento, carisma e vocação para as artes. Estamos falando de Bel Kutner, 54 anos, uma atriz multifacetada que vem se destacando na carreira desde o seu começo profissional, há quase 38 anos.
Acostumada a estar na coxia de um teatro, nos sets de filmagem ou numa ilha de edição desde muito cedo, Bel decidiu facilmente que seguiria a mesma carreira dos pais famosos. Logo, aos 13 anos, foi estudar teatro e, aos 15, optou de fato pela profissão de atriz.
A sua primeira novela foi em 1987, “Corpo Santo”; depois vieram outras de sucesso como “Bebê a Bordo”, onde a atriz interpretou a versão mais jovem da personagem de sua mãe, Dina Sfat; e o sucesso de Vamp, em 1991. Ela contracenou em várias outras novelas, filmes e peças de teatro, que puderam, de fato, consagrar Bel Kutner como uma grande atriz, e fizessem com que ela perpetuasse o legado deixado por seus pais.
O seu trabalho mais recente é o espetáculo “Rock In Rio 40 anos – O Musical”, criado por Charles Möeller e Claudio Botelho, que conta a história dos quarenta anos do famoso festival de música internacional.
Após 38 anos de carreira, Bel Kutner se considera mais consciente de cada passo que dá e das escolhas que faz, porém, com menos ansiedade. Agora ela pensa mais no aspecto coletivo de contar a história do que na questão individual da personagem que ela estiver interpretando.
Entrevista com Bel Kutner
WAVE – Como foi para você ter dois monstros sagrados da teledramaturgia, os seus pais, Dina Sfat e Paulo José, como referência e inspiração?
BEL KUTNER – Eu vi com muita alegria. Foi realmente uma referência e total inspiração. Na verdade, eu não sei o que não é ter os pais que eu tive, então eu cresci dormindo em coxia de teatro, em ilha de edição, acompanhando turnê e filmagem. Quando precisava de criança, eles pegavam os filhos e a gente botava uma roupa de época e já ia brincar de fazer cena. Então, é como no circo, é família. Eu sou da família das artes, com muita honra!
WAVE – Você já atuou em novelas de grande sucesso e teve papéis de relevância na dramaturgia brasileira. Qual foi a personagem que mais marcou a sua carreira?
BEL KUTNER – Eu tive a felicidade de fazer muita coisa boa na TV e no teatro. No cinema, eu tenho poucas experiências, mas fiz novelas de muito sucesso. Se for para escolher uma, sobre repercussão, foi “Vamp”, sem dúvida, porque eu sentia na rua mesmo, virou um hit, principalmente entre as crianças e os adolescentes, que são um público muito maneiro de se trabalhar. Então, seria a Scarlet. Mas eu fiz outras coisas incríveis, como a Helena de “Anjo Mau”; várias novelas do Walcyr Carrasco também incríveis, como “Gabriela” e “Amor à Vida”.
WAVE – Como você vê as novelas atuais em relação aos enredos, ao elenco e à audiência? O que mudou?
BEL KUTNER – O que eu sinto que mudou nas novelas, atualmente, foi o ritmo. As cenas são muito mais curtas, a novela toda tem muito mais velocidade. Então, tanto para fazer, mudou muito com a questão da qualidade técnica. Os cenários são muito mais realistas, normalmente têm até fechamento de teto, o que para o público dá uma sensação de mais realidade, e também para a gente que está trabalhando, para a equipe técnica… É uma estrutura diferente, um trabalho bem mais detalhado de angulação, de corte plano, contraplano. Assim, dá mais trabalho e tem muita agilidade porque as cenas são bem mais curtas do que eram há 20 owu 30 anos atrás.
WAVE – Quem é a Bel Kutner após 38 anos de carreira?
BEL KUTNER – Hoje, eu me vejo como uma pessoa muito mais consciente de cada passo que dou, de cada escolha que faço. A minha relação com o trabalho sempre foi de muita seriedade e muito comprometimento. Eu sempre fui CDF e gosto de ser. Porém, agora eu tenho muito menos ansiedade, tenho uma visão muito mais de grupo, uma preocupação maior de contar a história com um grupo do que propriamente com a personagem que eu estou representando. A personagem é o meu dever de casa, que eu levo para o trabalho. Mas, eu fico muito antenada no que está acontecendo no coletivo, porque uma história só se conta assim.
WAVE – Você está participando do “Rock In Rio 40 anos – O Musical”. Como está sendo fazer de um projeto que celebra os 40 anos desse festival tão importante?
BEL KUTNER – Eu estou envolvidíssima com o “Rock In Rio 40 anos – O Musical”, que a gente faz dentro do “Rock In Rio” e que está sendo uma experiência única. Nós estamos fazendo quatro apresentações por dia e a arena com mais de 1000 lugares está sempre lotada. Está incrível! A história foi contada de uma maneira mais curta. A estreia aconteceu na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, no dia 11 de janeiro, exatamente no dia do primeiro “Rock In Rio”, há exatos 40 anos. Então, está sendo muito emocionante, eu ensaiei à beça, a gente está superanimado com essa história, com as músicas incríveis. Eu estive no primeiro “Rock In Rio” quando tinha 13 anos de idade. A minha mãe deixou e eu fui em vários dias.
WAVE – Muitas novelas antigas podem ser reassistidas de outros países, como no Canadá, pela Globoplay, e muitas têm bastante audiência. Qual a sua opinião sobre o streaming? Você acha que aos poucos ele substituirá a TV aberta?
BEL KUTNER – É sempre bom rever. Eu adoro rever séries, coisa de 20 anos atrás, novelas… E tem vários canais de streaming com muito material bom. O que eu acho sobre a diferença do que vai acontecer, eu não sei te dizer. A TV aberta vem mudando, o streaming crescendo. Agora, a relação disso está também dando valor ao que foi feito antes, vai passar por uma nova visão de direitos autorais. Por isso é que eu trabalho na Interartis Brasil, que é uma associação de atores que discute exatamente sobre a importância de legitimar o valor do criador.
WAVE – Quais são os seus próximos projetos?
BEL KUTNER – Eu estou exatamente, nesse minuto, no intervalo do ensaio de “Rock In Rio 40 anos – O musical”, de Charles Möeller e Cláudio Botelho, uma superprodução com cantores, atores e bailarinos fantásticos. Eu aproveito para falar que está no ar o podcast “Acesso Livre”, que eu fiz com a Band Rio, no qual falamos de acessibilidade e educação inclusiva. Está no YouTube, Deezer, Spotify. Nele a gente conversa com pessoas com deficiência, pessoas especialistas em acessibilidade, e discutimos essa questão de um mundo realmente inclusivo.




























