
Vitor Martinez Silva, 20 anos, é um artista circense brasileiro que vem se destacando no cenário canadense. Sua paixão pelo circo começou cedo — segundo ele, tudo teve início quando o tema da sua festa de um ano foi justamente esse. Aos três anos, o encanto aumentou ao assistir a um DVD sobre a arte do picadeiro.
Aos cinco anos, iniciou aulas de ginástica e, pouco tempo depois, passou a explorar técnicas como acrobacias aéreas, lira e contorcionismo. Mas foi aos seis anos que ele ficou fascinado pelo diabolô — também conhecido como ioiô chinês —, uma modalidade que dominou de forma autodidata, inspirado por vídeos online.
Em 2018, com apenas 13 anos, Vitor conquistou uma bolsa de estudos para a École Nationale de Cirque, em Montreal, sendo selecionado entre os dez melhores candidatos do mundo. O processo seletivo foi rigoroso: incluiu o envio de vídeos, entrevistas em inglês e francês, provas escritas e redações. Para se preparar, ele aprendeu inglês durante uma imersão nos EUA e estudou francês por conta própria, com o apoio de cursos intensivos.
Desde então, passou a viver sozinho no Canadá — uma fase marcada por grandes desafios de adaptação, como ele relata na entrevista. Já são sete anos vivendo em Montreal, onde integrou o programa “Cirque-études secondaires”, voltado à formação de jovens artistas circenses.
Durante o período em que Martinez está no país, ele vem vivenciando experiências valiosas que o têm destacado como uma grande promessa da arte circense. Um dos momentos mais marcantes foi o convite para se apresentar no evento especial de 40 anos da companhia do Cirque du Soleil.
Atualmente, Vitor vive um dos momentos mais promissores da sua carreira. Recém-formado, ele já integra o elenco da companhia The 7 Fingers, um dos grupos de circo contemporâneo mais reconhecidos do mundo, com sede em Montreal e renomado por suas produções inovadoras.
Na entrevista, Vitor revelou que está prestes a embarcar para os Estados Unidos, onde iniciará uma turnê internacional com a companhia — um marco importante em sua trajetória. Ele também compartilhou que já recebeu convites para participar de festivais renomados, além de propostas de outras grandes companhias circenses, confirmando a sua crescente projeção no cenário artístico internacional.
Entrevista com Vitor Martinez Silva
WAVE – Como foi a sua experiência de se mudar sozinho para o Canadá, aos 13 anos, para estudar na mais renomada escola de circo? Como foi sua adaptação?
VITOR – Me mudar para o Canadá aos 13 anos de idade foi muito difícil, porém foi um dos sacrifícios mais lindos que eu já fiz. Sair de casa tão cedo para um país com uma cultura completamente diferente é um choque muito grande para uma criança, mas sempre senti um propósito de estar lá. Sempre sonhei em trabalhar em grandes palcos, e que essa escola era o lugar certo para que isso acontecesse. Mesmo deixando a família, os amigos, e momentos importantes para atrás, eu sempre me senti preenchido estando ali, descobrindo a vida autônoma por si só.
Eu diria que tive uma adaptação progressiva. Aprender, estudar e se comunicar diariamente em dois idiomas estrangeiros é algo que leva tempo. O mesmo vale para fazer amizades e se integrar socialmente. Dos meus sete anos aqui, passei quatro morando em uma residência estudantil para alunos internacionais, oferecida pela escola na época. Essa experiência resultou em um forte círculo de amizades entre mim e outras crianças que estavam na mesma situação. Criamos amizades que vou levar para o resto da vida.
WAVE – Como foram os seus primeiros contatos com a arte circence? O que te encantou?
VITOR – O tema da minha festa de um ano foi o circo. Eu acredito que esse tenha sido o começo dessa paixão. Desde então, os meus pais sempre alugavam DVD’s do Cirque du Soleil em locadoras locais, e estes fizeram o papel dos desenhos animados na minha infância. Tudo me encantava, mas principalmente os números de diabolô, no qual decidi me especializar já aos 14 anos.
WAVE – Como foi participar de uma apresentação dos 40 anos da companhia do Cirque du Soleil?
VITOR – Para mim, foi um marco. Conquistar um contrato com a companhia dos meus sonhos ainda durante a formação na escola foi algo muito especial. Foi muito emocionante poder usar figurino e maquiagem oficiais e fazer parte da celebração do marco de 40 anos da companhia. Vesti um figurino do espetáculo OVO, um show criado pela diretora brasileira Deborah Colker. Senti tanto a realização de um sonho quanto o Brasil na pele.
WAVE – Como é viver no Canadá? O que você mais admira no país?
VITOR – Hoje o Canadá é o meu lar. Já faz sete anos que eu estou aqui, então tenho raízes também com a bela Montreal. Admiro muito o incentivo que existe no país em relação às artes e ao aspecto cultural. Montreal, pelo menos, é um lugar onde o povo respira arte e a tem como parte do seu dia a dia. Onde isso acontece, a vida é sempre mais bonita.
WAVE – Como você vê os circos no Brasil e a arte circense hoje?
VITOR – Eu não conheço muito a fundo a respeito dos circos no Brasil, mas sinto que é uma forma de arte que ainda falta incentivo e investimento em relação a outros países. O que não falta em nosso país é talento, mas sim oportunidade. Às vezes, o circo é visto como um último recurso, o que é realmente triste. Porém, a esperança é a última que morre. Vejo que o mundo do teatro musical no Brasil, por exemplo, explodiu desde alguns anos. Quem sabe se o consumo de circo será o próximo? Tenho amigos no sul do Brasil que começaram projetos de produção de espetáculo que se assimilam muito ao circo contemporâneo, do qual faço parte aqui em Montreal. Espero que um dia eu possa trazer um pouco do meu estilo para os grandes palcos do Brasil.
WAVE – Quais são suas maiores referências na arte circense?
VITOR – Hoje em dia, eu tenho milhares e milhares de referências. Tem muita coisa nova sendo criada sempre em Montreal, o que traz muita inspiração, ideias e desejos novos de onde ir com a minha arte. Eu me encontro com muitas referências de diretores de espetáculos. Entre eles posso citar com muita admiração: Franco Dragone, Daniele Finzi Pasca, Edgar Zendejas, Shana Carroll, Nicolas Boivin-Gravel e aos diretores-artistas de People Watching, que criaram e criam universos únicos e autênticos no mundo do circo.
WAVE – Você está realizado? O que ainda pretende alcançar?
VITOR – Sem nenhuma dúvida! Eu tenho uma trajetória muito maluca de vida que acabou virando o meu novo normal ao longo desses anos todos. Porém, toda vez que escuto um aplauso depois do show ou quando recebo uma mensagem sincera de alguém da plateia, me volta essa realização de tudo o que passei para chegar ao palco e o quão grato eu sou por ter escolhido esse rumo.
WAVE – Quais são os seus próximos projetos, agora que você se formou?
VITOR – Hoje, eu trabalho para o 7 Fingers, um circo contemporâneo aqui de Montreal. No momento em que escrevo essas respostas para essa entrevista, estou em um avião indo para os Estados Unidos, para começar uma turnê internacional junto com essa Companhia. Tenho algumas propostas para festivais renomados e para outras grandes Companhias. Mas, como todo artista de circo, não posso falar nada antes que os projetos aconteçam. Agora, dizendo isso, começo a me sentir um pouco mais realizado.
@vitor_martinez_silva
Como ingressar no mundo do circo no Canadá
O Canadá é referência mundial em circo contemporâneo, com companhias como o Cirque du Soleil e coletivos como o 7 Fingers. Para seguir carreira na área, além do domínio do inglês e do francês, é preciso preparo físico, artístico e dedicação. Comece com uma base sólida: ginástica, dança, acrobacia ou artes marciais. Além da técnica, o circo canadense valoriza a expressividade e a criatividade — contar histórias com o corpo é essencial. Visite o site de escolas de destaque no país e mergulhe no mundo de seus sonhos:
- École Nationale de Cirque, (Montreal)
- École de Cirque de Québec, (Quebec City)
- Circus West, (Vancouver)
- Toronto School of Circus Arts, (Toronto)
Essas instituições oferecem programas profissionais, cursos intensivos e preparatórios para jovens e adultos interessados em seguir carreira nas artes circenses. Monte um portfólio com vídeos, fotos e referências, e participe de apresentações locais sempre que possível. Com disciplina, paixão e perseverança, é possível transformar seu talento em uma carreira brilhante nos grandes picadeiros do Canadá.















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