Entrevista – Roberto Calfat, da Loonie, agência de intercâmbio

Por Arthur Vianna

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Entre os destinos mais procurados pelos estudantes brasileiros no ano passado, o Canadá mantém a liderança. Um em cada quatro estudantes considerou o Canadá como o melhor país para estudar no exterior. Da mesma forma, o Canadá tem sido um dos países mais pesquisados por brasileiros interessados em viver um período fora do Brasil. Com foco nesta demanda, dois brasileiros com grande experiência de Canadá, criaram uma empresa em Toronto, a Loonie. Para falar sobre a Loonie Canadá, a Wave foi ouvir um de seus sócios, Roberto Calfat.

Wave – O que o levou a criar a Loonie Canadá?

Roberto Calfat – Entre outras atividades, fui empresário no Brasil na área de imóveis. O típico curriculum multi task, que tem seu valor no Brasil, mas aqui no Canadá não vale nada. Em 2014, me mudei para o Canadá, pois minha esposa foi transferida pela empresa em que ela trabalha. Estava estudando inglês nessa época e já pensando em empreender. Conversando com um diretor de uma grande escola de inglês aqui, ele me disse que, na sua opinião, havia espaço para uma agência séria e com um serviço diferenciado. Me interessei pelo tema aí. O Luiz Almeida, hoje meu sócio, já morava há 20 anos aqui e era executivo de uma multinacional, mas também tinha o desejo de empreender. Numa conversa, ele me disse que já tinha tido experiência no mercado de educação aqui e que gostou bastante. E assim ele me propôs abrir uma agência em sociedade.

Wave – Quais os diferenciais da Loonie em relação à concorrência, em especial às agências localizadas no Brasil?

Roberto Calfat – A Loonie conhece profundamente aquilo que vende. Só trabalhamos com o Canadá, justamente por isso. Desde escolas de inglês e High Schools até Colleges e Universidades. Qualquer emergência estamos fisicamente aqui para ajudar no que for preciso. As agências no Brasil vendem Canadá, EUA, Malta, Austrália, Europa, etc. Não tem como os atendentes conhecerem o que estão vendendo. Quando muito, fizeram um ou dois intercâmbios em um desses lugares. 

Gostaria de dividir o resto dessa resposta em duas partes:

  1. Inglês. Como disse, conhecemos bem todas as escolas com as quais trabalhamos. Fazemos questão de todo mundo que entra para trabalhar na Loonie, passe um bom tempo visitando e conversando com as pessoas chave nessas escolas. Com isso sabemos bem o perfil de cada uma e conseguimos identificar e comparar o perfil do aluno com o da escola. Não forçamos a venda de uma determinada escola só porque ela paga mais comissão, prática mais que comum no mercado. Oferecemos a escola que acreditamos ser a que o aluno vai se identificar. Aliás, por muito tempo a escola que mais vendemos era a que menos nos pagava. 
  1. Colleges e Universidades. – A maioria dos nossos alunos hoje em dia estão buscando Colleges para uma futura imigração. Acredito que para essas pessoas, a Loonie não é uma “vendedora de cursos”. Nesses casos, a Loonie “vende” o mercado de trabalho. Gastamos horas com o cliente entendendo a experiência prévia de trabalho e falando dos diferentes perfis e mercados que existem por aqui. 

Explicamos que, em determinados casos, a profissão do Brasil não funciona aqui e vice-versa. E sobre as diferenças, semelhanças e custos de vida entre as várias cidades, como Toronto, Hamilton, London, Waterloo, etc.

Detalhe importante: a Loonie não cobra absolutamente nada do aluno. Muitas agências cobram “taxas administrativas” ou consultoria. Não cobramos nada. Somos remunerados 100% pelas escolas.

Wave – Quais são os serviços que a Loonie pode prestar aos brasileiros?

Roberto Calfat – Somos basicamente uma consultoria educacional com forte viés para o mercado de trabalho local. Oferecemos desde High Schools e summer camps de inglês para adolescentes, passando por cursos de inglês, que podem variar de 2 semanas a 1 ano. Até colleges e Universidades.

Também ajudamos nossos alunos com acomodação, seja em Homestays (casas de família) até residências estudantis e também temos parceria com corretores de imóveis para os casos de famílias que querem se mudar para cá. Nos casos de famílias, ajudamos explicando as cidades, onde é bom, onde não é bom, características dos bairros em Toronto, apresentamos essas famílias aos bancos para abertura de contas e alguns outros serviços de acordo com a necessidade de cada aluno ou família. E ainda oferecemos seguro-saúde.

Wave – Em sua opinião, quais são os motivos que, hoje, o brasileiro tem dado preferência para estudar e/ou viver no Canadá?

Roberto Calfat – Nesse ponto acho que o Trump nos ajudou bastante. O Canadá hoje é uma opção mais viável que os EUA, principalmente para aqueles que buscam estudar para no futuro tentar imigrar. Outra coisa é que o brasileiro sempre teve fixação pelos EUA e sinto que isso está mudando um pouco, ou muito. O Canadá está cada vez mais na mente das pessoas, porque existem muitas matérias e pesquisas sobre qualidade de vida e sempre estamos nas primeiras posições.

Mesmo para os que querem estudar inglês está mais fácil se compararmos com nosso vizinho de baixo. Para você ter uma ideia, um número enorme de escolas de inglês fechou as portas no último ano por lá. Em alguns casos houve uma queda de mais de 40% no número de matrículas nessas escolas. É muito!

Infelizmente, todos sabemos a crise por qual o Brasil tem passado nos últimos anos. Acho que esse é um fator, mas não o único. Temos muitos profissionais que querem melhorar o inglês para depois se recolocarem melhor no mercado de trabalho, que está muito (e será cada vez mais) competitivo. O mesmo com os casos de pós-graduações.

Uma conta interessante: se você é de uma cidade menor e precisa fazer uma faculdade no Brasil, provavelmente irá se mudar para uma capital, de estado ou uma cidade maior do que onde mora. Nesses casos, principalmente se estivermos falando de cidades como São Paulo, Rio, Salvador, enfim, grandes capitais, os custos de vida serão bem altos. Some-se a isso o valor com os estudos. Imagine agora esse aluno vindo para um College no Canadá, em uma cidade ou província com um baixo custo de vida, como por exemplo New Brunswick, que possui excelentes Universidades e Colleges. Se fizer a conta direito, verá que vir para cá morar e estudar, pode sair quase no mesmo valor de morar e estudar num grande centro no Brasil. E esse aluno se forma aqui, com um diploma de uma instituição de ponta, de quebra fica com um inglês impecável e volta para o Brasil com uma vantagem enorme sobre os seus competidores por uma vaga de trabalho.