Entrevista – Vanessa Conti. Produtora cultural em Montreal

Vanessa Conti Irion é jornalista de formação, mas foi como assessora de imprensa e produtora de televisão que ela fez sua carreira no Brasil. Já atuou profissionalmente em Porto Alegre (onde nasceu), São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro (onde ela morou 7 anos antes de imigrar), tendo também gravado no exterior um programa de viagens. Atualmente, Vavá é responsável pelos eventos e projetos de comunicação e audiovisual do Diversité Artistique Montréal (DAM).

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Por Kika Martinez

Vanessa Conti, produtora cultural brasileira em Montreal.

O DAM, onde Vanessa trabalha, atua em duas frentes: De uma lado oferecendo serviços e programas que auxiliam a inclusão de artistas da diversidade cultural montrealense (imigrantes e/ou se identificando como de minoria étnica) no mercado de trabalho quebequense. Por outro lado, sensibiliza organismos, associações profissionais e instituições governamentais no processo de transição para melhores práticas no setor cultural no que se refere à diversidade.

WAVE: Como você veio morar no Canadá?

VANESSA: Em 2011, estava inscrita para um mestrado em Amsterdam que começava somente no ano seguinte. A convite de um amigo, vim a Montreal para visitá-lo e estudar francês e inglês durante os meses que me restavam antes da viagem à Holanda. Conheci uma pessoa aqui algumas semanas após a minha chegada e um mês depois já estávamos morando juntos! O amor mudou literalmente o destino da minha vida: Fui pedida em casamento e resolvi ficar. 

WAVE: Como profissional você encontrou dificuldades em Montreal?
VANESSA: Como grande parte dos imigrantes, encontrei dificuldades em me estabelecer profissionalmente na minha área. Achava que iria ser mais fácil. Passei por diversas entrevistas de trabalho, mas recebia depois telefonemas com o mesmo discurso: “Adoramos o seu trabalho. É visível que você tem bastante experiência e criatividade. Ficamos entre você e um outro candidato e optamos pela outra pessoa porque ela é daqui e domina o francês”. Ter um outro sotaque que não seja dos países francófonos ou anglófonos é um problema, mesmo que você escreva em francês ou em inglês melhor que alguém nascido aqui. Trabalhei um ano num café para pagar as contas até que entrei no Diversité Artistique Montreal (DAM).

WAVE: Que tipos de projetos vocês desenvolvem?
VANESSA: Trabalhamos em duas frentes – uma artística e outra mais política e social. Temos quatro projetos estruturantes e um acompanhamento personalizado de carreira, além das oportunidades diversas, da visibilidade oferecida e de alguns descontos nos organismos parceiros. Nossos projetos ajudam os artistas na sua inclusão num setor difícil de se penetrar.

WAVE: Que dica você dá para os jovens artistas brasileiros que desembarcam na cidade?
VANESSA: Informem-se e procurem ajuda. Fui conhecer o DAM relativamente tarde e acho que teria tido mais chances de me estabelecer aqui mais facilmente se tivesse tido esse apoio na época. Profissionalmente, estudar francês, fazer cursos na sua área e também trabalhos voluntários ajudam no processo de inclusão, principalmente pelos contatos feitos.
Outra dica preciosa é fazer novos amigos de diferentes origens, tentando sair da comodidade de ter contatos somente na comunidade brasileira. É um excelente exercício conhecer a cultura, o comportamento, a maneira de pensar das pessoas do lugar que você escolheu para morar.

Não se deixe desencorajar. Conheça os seus direitos e deveres aqui. No mais, o Canadá é um país lindo e Montreal é uma cidade maravilhosa: cosmopolita, segura, feminista, com mil atividades rolando (faça calor ou frio extremo!), então aproveite o que de melhor este lugar oferece!