O ambiente online. Os riscos para crianças e adolescentes

Eder Pessalacia é especialista em infraestrutura de TI, transformação digital e possui a certificação CEH, Certified Ethical Hacker.

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O ambiente online. Os riscos para crianças e adolescentes. Por Eder Pessalacia.

Nossos filhos estão sempre conectados à Internet, jogando, falando com amigos e assistindo vídeos. Enquanto pais, pensamos que eles passam muito tempo no Facebook ou Netflix. Porém, eles estão frequentando também lugares bem menos conhecidos dos adultos. Pergunte aos seus filhos sobre Discord, Amino, Twitch, GroupMe, IMVU, Bigo, Tik Tok, BitLife, Holla, Kik. Provável que vá se surpreender com a resposta.

Primeiro temos o desconforto de nossos pequenos frequentarem locais que nem imaginávamos que existam. Depois, não temos ideia do que estão fazendo lá. E por fim, as exigências de isolamento durante a pandemia fez aumentar o tempo que passam conectados.

Neste cenário, temos que compreender três características fundamentais da Internet: ela é livre, tem tudo, e nunca esquece. De uma perspectiva positiva, temos a Internet para livremente nos expressarmos e buscarmos conhecimento. Porém, a liberdade na Internet se traduz muitas vezes em impunidade e possibilidade de anonimato para cometer crimes. E crianças e adolescentes com acesso à Internet já viram de tudo, pois a curiosidade move o humano.

Vivendo neste ambiente com pouco controle, eles ainda estão sujeitos a abusos. Dados da UNICEF de 2019 mostram que 37% dos jovens já sofreram bullying virtual. O relatório de Cyberbullying 2018 do Instituto Ipsos coloca o Brasil em segundo lugar no bullying virtual com 29% dos usuários. O Canadá fica em oitava posição com 20%.
Educação para o Digital

Neste cenário caótico, é fundamental educarmos os usuários mais novos para o mundo digital. A Educação para o Digital possui quatro pilares: dialogar, monitorar, não se expor, e discernimento.

O diálogo aberto e sincero esclarece os benefícios e riscos da rede: ganhamos conhecimento e amizades, mas nem todo conteúdo é bom e há crimes sendo cometidos. E quando eles se sentirem desconfortáveis ou ofendidos, podem e devem buscar ajuda com os adultos da família.

A monitoração frequente pode ser feita com ajuda do diálogo e com apoio dos aplicativos de controle parental, gratuitos ou pagos. Um bom app deve fornecer um relatório dos locais visitados, bloquear os sites não desejados e limitar o tempo de uso, de acordo com a idade da criança.

Os adolescentes devem limitar a exposição online, pois a Internet nunca esquece. Aqui vale ensiná-los a regra da manchete de jornal: a foto ou vídeo que estou enviando pode aparecer na primeira página de um jornal? Eles devem entender que uma foto enviada de forma privada pode se tornar pública e viral em poucos minutos, sem nenhum controle sobre a situação.

Por fim, temos que exercitar o discernimento de conteúdo, desconfiando sempre da qualidade da informação. Instrua os jovens a usarem sites de verificação de fake news, como factscan.ca, factcheck.org, boatos.org e aosfatos.org, para citar alguns. Com discernimento, podemos confirmar se aquela notícia incrível é verdade ou se foi feita com mentiras ou meia verdades.

Exercitando esse pilares da Educação para o Digital, dialogar, monitorar, não se expor, e discernimento, as crianças e adolescentes estarão melhor preparados para a vida digital que deverá ser parte importante da sociedade pelas próximas décadas.

Tempo total de tela (televisão, games, Internet, celulares)

Abaixo de 2 anos = Sem acesso
2 a 5 anos = 1 hora
De 5 a 12 (17*) anos = De 2 a 3 horas

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria e Canadian Screen Time Guidelines. A Canadian Screen Time Guidelines sugere o aumento para 2 horas de tela a partir
dos 17 anos.

Riscos do mundo online (para crianças e adolescentes)

Pedófilos: Predadores sexuais usando sedução para cometer abusos
Scammers: Enganam a vítima para obter dados sigilosos e dinheiro
Sexting: Troca de conteúdo íntimo, podendo ser usado em ameaças futuras
Bullying: Ameaças e intimidação de conhecidos ou anônimos com perfis falsos
Grooming: Ganham a confiança da criança ou adolescente para obter pornografia
infantil e aliciar na prostituição