Visão de quadra

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Aos 38 anos, o líbero mineiro Alan Domingos coloca sua experiência a serviço do Montes Claros Vôlei e sonha voltar à seleção brasileira.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Entrevista com o jogador de vôlei mineiro Alan Domingos, do Montes Claros – Fotos: Divulgação / Montes Claros Vôlei

Tempo de quadra é o que não falta a Alan Domingos. O primeiro grande clube do líbero mineiro de 1,90 m foi Olympikus, do Rio de Janeiro, pelo qual disputou a Superliga 1997/1998 e foi vice-campeão. Depois passou por Unisul (SC), Ulbra (RS), Noliko Maaseik (Bélgica), Unisul (RS), Dínamo Moscou (Rússia), Lokomotiv-Belogorie (Rússia), Pinheiros (SP), MM/Londrina/Sercomtel (PR), RJX (RJ), Medley/Campinas (SP), Al-Rayyan (Qatar) e Stiinta Explorari (Romênia), até voltar ao Brasil em maio de 2017, quando foi contratado pelo Montes Claros Vôlei. Pelo time mineiro, conquistou no último dia 3 de março a medalha de bronze no Sul-Americano de Clubes. Aos 38 anos, 21 deles dedicados ao vôlei, Alan admite que seu maior sonho profissional é retornar à seleção, onde foi campeão mundial em 2010, na Itália, sob o comando de Bernardinho. “Me sinto realizado por poder amar o que eu faço e acho que tenho muito para conquistar. Todo atleta sonha com a seleção e no meu caso não seria diferente. O importante é manter o trabalho feito no clube que a convocação é consequência. Gostaria de provar para mim mesmo que tenho condições. Acho que não preciso mostrar para ninguém que hoje tenho saúde e que sigo jogando em alto nível”, afirma Alan, que vive a ansiedade de se tornar pai, de Nicolas, filho do casamento com a ex-nadadora do Pinheiros e do Sesi, Nabila. O nascimento deve acontecer ainda nesse mês de março. “Ser pai é um sonho que estarei realizando”, comemora.

O líbero tem uma ação, e nessa ação tem que tentar ser sempre 100%, porque está ali para passar e defender.

Esporte de Fato – Como se iniciou no vôlei?
Alan Domingos Comecei em 1993, em uma quadra de terra no Mato Grosso do Sul. Nesse mesmo ano conquistei a minha primeira medalha, nos Jogos Abertos do Mato Grosso do Sul (JAMS). Comecei jogando como levantador.

Esporte de Fato – Quais foram os títulos mais importantes da sua carreira?
Alan Domingos Dois títulos me marcaram bastante: o do campeonato russo, pelo Dínamo Moscou, e o do Campeonato Mundial, na Itália, em 2010, com a seleção brasileira.

Esporte de Fato – Como explicaria a função tática de um líbero dentro de uma equipe de vôlei?
Alan Domingos O líbero tem uma ação, e nessa ação tem que tentar ser sempre 100%, porque está ali para passar e defender. E um bom líbero tem que passar confiança para o grupo e ser um líder dentro de quadra.

Esporte de Fato – A sua liderança tem se mostrado fundamental no Montes Claros Vôlei. Como avalia a estrutura do clube e a configuração do time?
Alan Domingos Procuro ajudar os mais jovens em momentos decisivos, tentando deixá-los tranquilos. A estrutura do time não é das melhores, mas podemos realizar o trabalho desejado. O time foi montado para chegar entre os oito primeiros colocados, mas com a demissão de técnico veio toda uma nova comissão técnica, com um trabalho totalmente novo. Leva tempo para a adaptação.

Esporte de Fato – De acordo com as estatísticas da Confederação Brasileira de Vôlei, você é o melhor líbero da Superliga Masculina de Vôlei 2018/2019. Quais são suas expectativas?
Alan Domingos São positivas, pelo trabalho que foi feito durante a temporada. E o sonho continua de poder defender meu país.

Todo atleta tem um sonho de poder defender a seleção de seu país e eu tenho esse objetivo.

Esporte de Fato – Sua última convocação foi em 2013, com o técnico Bernardinho, quando conquistou a medalha de ouro no Sul-Americano, na Copa Pan-Americana e a prata na Liga Mundial. Você se imagina de volta à seleção com o técnico Renan?
Alan Domingos A minha passagem pela seleção começou de uma forma muito positiva, mas em dezembro de 2008 aconteceu uma lesão no tendão de Aquiles que atrapalhou a minha sequência. O meu melhor momento foi na estreia na Liga Mundial. Participei do Mundial de 2010 e, mesmo estando na reserva, ajudei de alguma forma. Foi uma experiência incrível porque estava do lado dos melhores jogadores. Aprendi muito com bicampeão olímpico Serginho na seleção. É um jogador por quem tenho todo respeito e admiração. É um ídolo para todos, não só para mim. Todo atleta tem um sonho de poder defender a seleção de seu país e eu tenho esse objetivo.

Esporte de Fato – Como avalia o trabalho desenvolvido pelo técnico Renan após as Olimpíadas do Rio?
Alan Domingos – Minha avaliação é positiva. Não é fácil substituir Bernardinho, o maior técnico de vôlei de todos os tempos. Mas Renan está fazendo um ótimo trabalho. A prova disso é que o Brasil vem chegando a todas as decisões até o momento.

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