Wave 106 – Entrevista com Ivan Lins: o cantor brasileiro fala sobre o Canadá, a retomada dos espetáculos e música atual

Ele é um dos ícones da música popular brasileira e vem se destacando há mais de 50 anos como cantor, compositor e pianista, não só no Brasil como em diversos países. Estamos falando de Ivan Lins, 77 anos, que teve uma conversa descontraída com a Wave e falou com muita ênfase e posicionamento sobre diversos assuntos.

O artista contou que a retomada dos espetáculos está sendo lenta, principalmente por conta da guerra na Ucrânia, que está afetando a Europa e a América do Norte. Apesar disso, Ivan vem fazendo diversos shows desde o ano passado em países como Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda, Canadá, Georgia, Portugal, e também em muitas cidades do Brasil. E sempre com muito sucesso!

Segundo o cantor, a música brasileira mudou consideravelmente nos últimos anos, pois a sua qualidade caiu profundamente. Para ele, a facilidade que os recursos tecnológicos proporcionam faz com que os novos talentos pensem menos, o que de certa forma compromete a criatividade destes artistas. “A qualidade da música caiu profundamente, isso na ótica da minha geração, que é a dos anos 60, 70, 80 e 90, que ainda fazia música pela própria música, pela história da arte, pela história da música, pela harmonia, sem essa interferência pesada e forte da tecnologia. Então, a música brasileira ficou muito dividida entre as novas gerações e aquelas que ainda fazem uma música mais acústica, mais harmoniosa, mais melódica e com uma literatura nas letras um pouco mais sofisticada e rica” – afirma.

Ele diz que consegue se manter atual há mais de 50 anos devido à essência das suas canções, que continuam sendo as mesmas de sempre, incluindo uma boa melodia, boa letra, boa harmonia e o arranjo compatível com a mensagem que está sendo passada para as pessoas.

A experiência do artista com o Canadá sempre foi muito positiva. Em 2022, Ivan fez um show no Koerner Hall, em Toronto, e esse momento só reforçou o carinho que ele tem pelo país e por seus fãs, que o prestigiaram com muita receptividade. As outras apresentações em terras canadenses aconteceram há dez anos, em Vancouver e Vitória, lugares bastante elogiados pelo cantor. “O Canadá é encantador, incrível e essa parte do país é linda!” – enfatiza.

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Sucesso internacional começou na década de 80 – O carioca Ivan Lins começou a ter o seu talento reconhecido em âmbito internacional nos anos 80, quando tornou-se um dos compositores brasileiros mais gravados no exterior. As suas canções foram interpretadas por artistas de grande renome internacional como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, George Benson, Michel Legrand, Sting, Diana Krall e seu grande amigo Quincy Jones. O artista continua compondo com intensidade e realizando shows em turnês pelo Brasil e todos os continentes. A sua agenda para abril e maio de 2023 está repleta de apresentações em São Paulo. Veja as informações sobre os próximos shows no site oficial do artista: https://ivanlins.com.br/.

LEIA A ENTREVISTA COM IVAN LINS

WAVE – Você esteve no Canadá em 2022, fez show em Toronto. Como foi essa experiência, principalmente em relação à receptividade do público?
IVAN LINS – O show com a minha banda americana foi ótimo. Nós fizemos um espetáculo muito bacana, muito vigoroso, que eu faço quando excursiono na América no Norte. Então, a receptividade foi muito boa como sempre.

WAVE – Quais as suas impressões sobre o Canadá? Foi a sua primeira vez no país?
IVAN LINS – A primeira vez que eu estive no Canadá foi na costa oeste do país, em Vancouver e Vitória. Eu fiz três shows por lá, há aproximadamente dez anos. O Canadá é encantador, incrível e essa parte do país é linda! Porém, eu nunca fui a Montreal.

WAVE – Você está fazendo muitos shows desde o ano passado, alguns inclusive internacionais como no Canadá, Portugal e Bélgica. Como está sendo essa retomada após um longo período de pandemia?
IVAN LINS – A retomada está sendo lenta, esse ano vai ser complicado por causa da guerra na Ucrânia. Então, isso causou um desequilíbrio financeiro muito grande na Europa e que está repercutindo também na América do Norte. Eu estou esperando que essa guerra termine para que o mercado volte a funcionar como deve ser.

WAVE – Como você vê a música brasileira atualmente, em relação à qualidade, aos ritmos em evidência e ao mercado consumidor? Na sua opinião, o que acha que mudou de 40 anos para cá?
IVAN LINS – A música mudou, o mercado mudou muito, pois ele é regido pela realidade que se vive no país e no mundo. Uma das coisas que interfere profundamente no mercado é o avanço da tecnologia, pois a forma de se compor mudou, a forma de se gravar e de se criar mudaram. As novas gerações estão muito mais interligadas nessa tecnologia, evidentemente, isso interfere na criatividade deles. Então, nós temos uma facção da música mais jovem que está muito conectada com a tecnologia e com a Internet, ou seja, uma ferramenta que as pessoas usam para se atualizar, mas que de certa maneira cancelou o raciocínio, o pensar. As pessoas pensam menos, raciocinam menos e isso interfere na criatividade delas, que utilizam esses mesmos veículos para compor, fazer música e fazer arte. Portanto, a qualidade da música caiu profundamente, isso na ótica da minha geração, que é a dos anos 60, 70, 80 e 90, que ainda fazia música pela própria música, pela história da arte, pela história da música, pela harmonia, por todas estas ferramentas que a arte e o espírito humano nos fornecem, mas sem essa interferência pesada e forte da tecnologia. Então, a música brasileira ficou muito dividida entre as novas gerações e aquelas que ainda fazem uma música mais acústica, mais harmoniosa, mais melódica e com uma literatura nas letras um pouco mais sofisticada e rica. Isso no mercado está sendo levado muito em conta, pois hoje não existem mais investimentos a longo ou médio prazo, pois é tudo a curto prazo. Portanto, as músicas que realmente fazem muito sucesso são também muito descartáveis e não irão se eternizar, não vão ficar.

WAVE – A sua música impecável atrai um público de todas as idades. Qual o segredo para se manter atual e interessante também para as novas gerações?
IVAN LINS – A essência delas continua sendo a mesma de sempre, uma boa melodia, uma boa letra, boa harmonia e o arranjo compatível com a mensagem que está sendo passada para as pessoas.

WAVE – Você, que é um dos grandes cantores atemporais da música popular brasileira, acredita que os lançamentos atuais são efêmeros, ou seja, com tempo certo para durar? Qual a sua opinião?
IVAN LINS – Bom, eu sou de uma geração que mostra e prova que a música atemporal é aquela que tem no seu bojo qualidades melódicas, harmônicas, rítmicas e literárias. E está provado que estas são as que duram muito. Se as novas gerações quiserem conseguir essa durabilidade vão ter que buscar informações e beber nas nossas gerações, não tem outra solução. E terão que misturá-las com as informações modernas que recebem. Para isso é que existe a criatividade, o saber misturar bem o que a tecnologia de hoje te oferece com a solidez da história da cultura, do que já está provado. Então, as pessoas que tiverem essa intenção na cabeça, no espírito e nos sentimentos, de fazer coisas belas, produzirão muito melhor e com muito mais durabilidade, independente da tecnologia que utilizarem.

WAVE – Dos talentos musicais da atualidade, quais você acompanha e admira?
IVAN LINS – Tem uma geração grande vindo por aí, com novas informações, diferentes daquelas que eu tive na minha época, com outras influências diversificadas, mais modernas. Porém, é a sensibilidade que manda na arte. Eu acredito na música, na arte com amor, um caminho de expressar a beleza humana e encantar as pessoas. Por isso, eu acho que a música cura, salva e faz coisas que até Deus duvida. Tem um compositor de Americana, em São Paulo, que se chama Gustavo Spínola. Se ele tivesse surgido na minha época seria um Chico Buarque, pois é um grande compositor e artista, canta bem, toca bem, escreve muito bem, tem muito bom gosto e possui uma certa modernidade no seu trabalho. Então, ele já vem com um dado a mais, que foi incorporado por meio do contato com as novas tecnologias.

WAVE – O show “A Gente Merece Ser Feliz” marca a sua trajetória artística há mais de 50 anos. Fale um pouco sobre esse espetáculo. O que ele traz de novidade?
IVAN LINS – O show “A Gente Merece Ser Feliz” tem uma visão filosófica mais aliviada, mais tranquila, com mensagens bem mais otimistas, cujo título bem diz mesmo “como a gente merece ser feliz”, por esses novos tempos que estão vindo aí, que nos renovaram a esperança de que o Brasil pode se tornar o país que a gente sempre sonhou, pois ele é muito especial e muito diferente de todos os outros. No show, eu continuo mostrando os meus sucessos, que correspondem a 60% da apresentação, pois são a marca registrada dos meus espetáculos, depois algumas músicas novas e outras menos conhecidas. Tem até músicas de outros compositores como Tom Jobim, Carlos Lira, Caetano, Gil, Chico Buarque, João Bosco, Djavan e assim vai… O que tem nesse novo espetáculo e que é mais importante é o fato de que a atitude no palco já é outra, ou seja, é um show muito mais aberto, mais vigoroso e muito mais iluminado.

WAVE – Quais são os seus próximos projetos?
IVAN LINS – Um dos meus próximos projetos está sendo feito nos Estados Unidos, na Califórnia, elaborado por um produtor de lá com a Orquestra Sinfônica de Tbilisi, da Geórgia, no leste europeu. São três canções instrumentais, outras cantadas, tem duas inéditas, outras menos conhecidas. O disco é muito interessante, bem diferente dos discos que eu venho fazendo, e está programado para ser lançado no final desse ano ou começo do ano que vem. Eu também estou começando a pré-produção de um disco com canções inéditas, ou seja, um trabalho que eu não faço há sete anos, e que ainda não tem data prevista para o lançamento. Nós vamos continuar com esse espetáculo “A Gente Merece Ser Feliz” pelo Brasil e vamos para a Europa em julho, agosto e talvez setembro. O mercado por lá caiu muito por causa da guerra, então esse ano está sendo atípico. Porém, a gente espera que em 2024 a coisa melhore e que essa guerra termine para que possamos levar a maravilhosa música brasileira para o exterior.


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