Wave 109 – Entrevista com Mônica Sousa

Mônica, 62 anos, é a filha do cartunista brasileiro Mauricio de Sousa, o criador da baixinha e dentuça mais amada do Brasil. Ela serviu de inspiração para uma das personagens mais famosas dos quadrinhos no país, a Mônica, que está completando 60 anos da sua criação, agora em 2023.

Texto por Alethéa Mantovani e Christian Pedersen

Mônica Sousa conta que ter servido de inspiração para a tão importante personagem foi uma honra, pois ela recebe o carinho dos fãs e se sente muito grata com tudo isso. “Hoje eu adoro todo o carinho que recebo dos fãs e das pessoas que amam a Mônica. É muito gostoso!” – conta.

Mônica Sousa. (Foto: divulgação)

Além disso, a filha de Mauricio de Sousa vai mais além e diz que a personagem Mônica lhe inspira também, pois aprendeu com ela a conquistar o seu espaço e buscar o que quer. “Não tem plano infalível capaz de me derrotar quando eu decido algo. Hoje, eu luto pelo que acredito, luto pelas minhas convicções, e isso me faz ter força e determinação” – enfatiza.

Para ela, o balanço destes 60 anos de criação da personagem que leva o seu nome foi muito positivo, pois a Mônica é amada pelos fãs de quatro gerações, se tornou a embaixadora do Unicef (Fundo das Nações Unidas pela Infância) e emprestou a sua força para defender os Direitos das Crianças e Adolescentes. Além disso, ela é a responsável por representar as mulheres notáveis no projeto Donas da Rua, que tem o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas) Mulheres.

A história da Mônica, a baixinha e dentuça mais famosa do Brasil

Personagem ícone de uma geração, Mônica foi idealizada inicialmente para ser a coadjuvante de uma criação anterior de Mauricio de Sousa e fazer parte das tiras do Cebolinha, no jornal “A Folha de São Paulo”, em 1963. Porém, o público logo se identificou com ela, graças às suas características marcantes, cativantes e até mesmo efusivas, e que a fizeram ser a protagonista das histórias em quadrinhos do seu criador. Para o cartunista, ela caiu nas graças do público porque foi a primeira personagem feminina com papel de destaque após a criação de alguns masculinos. Para criá-la, ele observou o comportamento e as características físicas da sua filha Mônica Sousa, e os transferiu para a personagem de uma forma mais caricata e exacerbada, é claro. E daí em diante, ela teve tanto espaço nas histórias que ganhou a sua revista, em 1970. Mônica, desde então, ganhou mais e mais destaque e se tornou a estrela das revistinhas, cada vez mais famosa e querida no Brasil e em países como Japão, Estados Unidos, Itália, Espanha, Alemanha e outros.

Mônica Sousa. (Foto: divulgação)

ENTREVISTA COM MÔNICA SOUSA

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WAVE – Como foi crescer ao mesmo tempo em que a Mônica foi se desenvolvendo e se tornando um ícone da cultura brasileira?
MÔNICA SOUSA – Para mim, é uma honra ter sido a inspiração para a criação da personagem Mônica, que conquistou o coração das famílias brasileiras desde a sua primeira aparição, lá em 1963, na tira que era então do Cebolinha. Quando eu era pequena, não me dava conta de que existia a personagem. Com o tempo, isso foi mudando e passei a entender a atenção que o meu pai recebia por ser o pai da Mônica. Já adolescente, eu não gostava tanto, queria ser reconhecida pelo meu jeito, não o da Mônica (risos). Hoje eu adoro todo o carinho que recebo dos fãs e das pessoas que amam a Mônica. É muito gostoso!

WAVE – O que as histórias atuais da Turma da Mônica precisam ter para atrair novos leitores se considerarmos que as mídias podem ser fortes concorrentes?
MÔNICA SOUSA – A Turma da Mônica foi inspirada em crianças reais e, independentemente da plataforma, as suas histórias abordam valores que estão presentes desde o início da turminha, como a amizade, o respeito e a representatividade. Nós não consideramos as mídias como concorrentes, uma vez que estamos presentes em todas elas. Ao longo dos anos, a Mauricio de Sousa Produções foi se reinventando. As histórias que surgiram nos quadrinhos ganharam formatos diferentes para atrair públicos diferentes. Hoje, temos a parte editorial que engloba as publicações impressas, como quadrinhos, graphics do selo MSP e outros livros ilustrados pela turminha e a parte audiovisual, que conta com as animações, séries e longas-metragens direcionados a públicos diferentes, atendendo desde a fase pré-escolar, com “Vamos Brincar com a Turma da Mônica”, até “Turma da Mônica Jovem”, voltada para o público de 9 a 12 anos, para citar apenas alguns dos conteúdos nos quais estamos presentes nas várias plataformas.

WAVE – Como são as reações das pessoas quando você diz ser a inspiração por trás da personagem Mônica? Qual foi a mais inusitada?
MÔNICA SOUSA – Muitas pessoas têm a curiosidade de saber até que ponto eu sou parecida com a personagem inspirada em mim, se sou realmente brava como nos quadrinhos. Meu pai dizia desde o início que eu iria crescer, seguir meu caminho, enquanto a Mônica permaneceria criança. Geralmente, as pessoas se surpreendem ao saber que temos pontos em comum, mas também muitas diferenças, pois ao mesmo tempo que somos parecidas, ela já criou uma personalidade própria.

WAVE – O Cebolinha e o Cascão costumavam apanhar quando chamavam a Mônica de dentuça, baixinha etc. Qual é a melhor maneira para lidar com o bullying hoje em dia?
MÔNICA SOUSA – A personagem Mônica é uma criança de sete anos e é natural da idade que haja alguns conflitos com os colegas, afinal é um período em que ainda estão descobrindo seus limites e preferências. A partir do momento que descobrem que brigar pode afastar as amizades, há uma conscientização de que precisam aprender a conviver e respeitar as diferenças.

WAVE – Como foi crescer sendo a filha de um famoso e icônico cartunista?
MÔNICA SOUSA – Para mim é uma honra poder fazer parte dessa família que inspira tantas outras, tanto no Brasil quanto no mundo. Eu tenho muito orgulho e gratidão, pois o meu pai sempre me apoiou em todas as decisões.

WAVE – O que você diria hoje para aquela menininha briguenta, mas com muitos amiguinhos também?
MÔNICA SOUSA – A personagem Mônica me inspira. Eu aprendi com ela que é possível conquistar o meu espaço e buscar o que quero – e não tem plano infalível capaz de me derrotar quando eu decido algo! Hoje, eu luto pelo que acredito, luto pelas minhas convicções. Isso me faz ter força e determinação. Para ela eu diria: “O meu muito obrigada por tanto e por também ser a inspiração de outras milhares de ‘donas da rua’ mundo afora”.

WAVE – Qual o balanço que você faz desses 60 anos da personagem?
MÔNICA SOUSA – O balanço que eu faço é muito positivo, por ser amada pelos fãs de quatro gerações. A Mônica tornou-se a embaixadora do Unicef (Fundo das Nações Unidas pela Infância), emprestando a sua força para defender os direitos das crianças e dos adolescentes, e é a responsável por representar as mulheres notáveis no projeto “Donas da Rua”, que tem o apoio da ONU Mulheres. Além de carregar os valores da amizade, respeito, diversidade e inclusão, ela tem um papel muito importante no empoderamento das meninas desde os anos 60. E essa importância só tende a crescer.


Alethéa Mantovani e Christian Pedersen são jornalistas e fazem parte da equipe editorial da Wave Magazine.

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