EXCLUSIVO DE ASSINANTES – O nó político do Brasil em 2018

Por Rogério Silva. Diretor de jornalismo da TV Paranaíba afiliada Record TV em Minas Gerais e da Educadora FM. É também professor de jornalismo da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação - ESAMC.

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As eleições presidenciais diretas no Brasil a partir da Nova República datam de 1989.

São quase 30 anos e sete pleitos. Quase todos decididos em 2 turnos, com o Partido dos Trabalhadores representado por Lula ou Dilma. Lula é a imagem do PT, o símbolo, a marca. Impossível dissociá-los. Dilma foi sua criatura, talhada à imagem de técnica e gestora, mulher firme, intolerante a coisas erradas. Pois os dois retratos do PT sofreram arranhões profundos que os tiraram das páginas políticas e os levaram para outras menos nobres. E por conta disso, teremos as primeiras eleições presidenciais brasileiras sem a presença combativa da esquerda. Mas, o que esperar de resultado?

A onda da direita conservadora bate às portas da Nação verde-amarela com entusiasmo e nos causa preocupação. A opinião pública flerta com a possibilidade do militar reformado na presidência, homem de discurso parco de ideias. As mais arrebatadoras levantam a bola do armamento. Bolsonaro prega o direito de que cada brasileiro tenha uma arma em punho para se defender de bandidos. Não entra muito em detalhes de como isso funcionaria e nem se permite debater as tragédias norte americanas de atiradores que invadem escolas, cinemas e concertos de rock.

Paralelamente, veio a aspiração do apresentador de TV Luciano Huck, que pratica ações assistencialistas em seu programa. Como se o Brasil fosse uma imensa lata-velha, Huck faria um reality show em nossas vidas e tudo seria felicidade plena após quatro anos. A solução milagrosa morreu antes de nascer.

Os empresários gostariam de ver um representante do setor no comando da República, mas o “Novo” Amoedo patina em 1% de intenções de voto. Parece não haver maturidade ainda para uma jogada arriscada dessas. O mercado, ahhh o mercado… O mercado sonha com Henrique Meireles e seu liberalismo econômico.

No mais, no tabuleiro de xadrez político, movimentam-se os de sempre: Marina Silva com seu discurso de florestas e povos das selvas. Geraldo Alckmin, encrencado nas listas da Odebrecht – denominado, o Santo. Ciro Gomes, nada gentil com pessoas e palavras.

A incógnita eleitoral para o Brasil é tamanha em 2018 que deu espaço até para o ex-presidente Fernando Collor – aquele mesmo, cassado em 92. Ele, “despretensiosamente”, resolveu colocar o nome à disposição. Não bastasse o caos em que já estamos, surge isso!

Não há favoritos e o que pode aparecer das urnas é incerto. Um perigo para o país que precisa de estabilidade e fortalecimento de suas instituições. Quem vai desatar esse nó?