Entrevista com Ronnie Von e o filho Leo Von

FALAM SOBRE A ADMIRAÇÃO QUE TÊM PELO CANADÁ E CONTAM DETALHES SOBRE A CARREIRA

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Leo Von com o pai, Ronnie Von.

O cantor e apresentador Ronnie Von e o seu filho, que também é cantor e produtor musical, Leo Von possuem uma admiração muito grande pelo Canadá. Ronnie destaca que o país é uma referência cultural para ele, além de ser um lugar que possui beleza natural de primeira grandeza e que tem um povo extremamente feliz. Já Leo afirma que o país é um dos que mais produzem bandas e artistas bons, e que é fã do Neil Young, Rush, Bryan Adams e outros.

Pai e filho dizem que certamente morariam em território canadense. Ronnie porque adora o frio e viver no país seria “sopa no mel” – como ele mesmo enfatiza – e também porque a cultura vai ao encontro com o que o cantor acredita. Leo Von, por sua vez, diz que sem dúvida alguma viveria no Canadá e que essa ideia já foi cogitada por ele há algum tempo, pois o país respeita muito os seus imigrantes, é bastante atencioso com eles e oferece muito carinho.

Ambos falaram ainda sobre algumas particularidades da carreira, apesar de viverem fases diferentes.

Ronnie Von já fez muito sucesso como cantor e ator desde a década de 60 e 70, quando foi chamado até de príncipe e mantém até hoje uma legião de fãs. Ele também comandou com muito carisma e simpatia diversos programas de variedade na TV e agora está em negociação com algumas emissoras para apresentar uma nova atração.
Leo Von começou cedo a carreira musical, aos nove anos de idade. Aos onze entrou para a sua primeira banda, a Revolution Kids, composta por crianças apaixonadas por Beatles. Depois, seguiu carreira solo e em 2008 foi para a Europa, onde se apresentou durante algum tempo. Ao voltar para o Brasil, trabalhou com artistas como Agnaldo Rayol, Jerry Adriani e Angela Maria. Em 2015, obteve muito sucesso com a música “Only U”, que fez parte da trilha sonora da novela “Babilônia”, da TV Globo. Em seguida, passou uma temporada nos Estados Unidos, onde foi integrante da Rico Monaco Band e outras formações. Nessa ocasião ele abria os shows de bandas famosas em várias partes do país. Mais tarde, fez também algumas apresentações solo em bares e festas. Atualmente, Leo está empenhado em um novo projeto com uma rádio brasileira e também vem divulgando a música “Viva o que Vive em Você”, que está conquistando o público brasileiro.

Sobre os novos projetos, ambos contaram o que vem de novidade por aí. Acompanhe a entrevista que eles concederam à Brazilian Wave Canadá.

Brazilian Wave – Qual a imagem que vocês têm do Canadá e as referências sobre o país?

Ronnie Von – O Canadá é uma referência não somente cultural, mas de beleza natural de primeira grandeza. É um lugar lindo, onde as pessoas são felizes. Eu vejo o Canadá como uma espécie de oásis em meio a um deserto de emoções que existe no mundo. Eu gosto muito do país, embora exista a distância, mas sempre acompanhei documentários, fotografias, filmes e tenho, de certa forma, esta ligação de afetividade mesmo que nunca tenha ido.

Leo Von: O Canadá é um dos lugares que mais produziu bons artistas. Eu sou completamente apaixonado pela cultura canadense e os meus artistas preferidos são Neil Young, o Rush – que eu idolatro e é uma das minhas bandas preferidas –, tem o Bachman-Turner Overdrive, até mais recentemente o Bryan Adams. Então, a imagem que eu tenho do Canadá, além da beleza natural, da organização, da estrutura social de respeito e progressiva, é de tudo o que há de melhor em uma sociedade. E óbvio, eu amo maple syrup! (risos).

Wave – O Canadá, assim como o Brasil, é um celeiro de grandes artistas. Quais as celebridades canadenses que vocês admiram?

Ronnie Von – Um dos primeiros nomes que me vem à mente é o da Celine Dion e do Michael Bublé, que é um cantor de standards que eu gosto muito. Ele é um cantor romântico, mas se esse cara cantasse só standards, só jazz, seria um dos maiores ídolos musicais do nosso planeta. Eu gosto muito também da Alanis Morissette e do Rush. Aliás, eu passei a gostar muito dessa banda em função do Leo.

Wave – Todos os anos, o Canadá abre espaço aos artistas de outras nacionalidades e promove festivais internacionais. Vocês já se apresentaram em outros países? Gostariam de ter essa experiência no país norte-americano?

Ronnie Von – Eu já me apresentei em diversos países, principalmente na Europa e América Latina. Porém, eu nunca estive em algum evento musical no Canadá, somente acompanho à distância. O Canadá tem uma participação de colônias europeias muito grande, principalmente a portuguesa, que fala a minha língua, e muitos brasileiros. De fato, o Canadá abraça toda forma de comunicação como ofício e eu acho isso muito legal. Isso é algo que não acontece em todos os países.

Leo Von – Eu também já toquei em diversos países fora do Brasil, principalmente nos Estados Unidos, onde morei por cinco anos e a minha carreira musical estava toda lá. Além disso, eu me apresentei na Europa com o Tony Osanah, que inclusive foi um parceiro do meu pai nos anos 60, 70 em diversas composições. Tivemos o privilégio de tocar juntos no Indra, em Hamburgo, onde os Beatles começaram a carreira. Foi uma experiência inesquecível, emocionante. Também estivemos em Bruxelas, em alguns lugares na Alemanha e até em Amsterdã, tocando numa praça, na rua mesmo. E claro, eu tenho um grande sonho de conhecer o Canadá. No dia em que eu for, terei que fazer o Moving Pictures inteiro do Rush na minha apresentação, para homenagear uma das minhas bandas preferidas. Se eu fosse convidado para fazer um show ou uma turnê no país, eu aceitaria com o maior prazer!

Wave – Brasil e Canadá têm algumas diferenças em relação ao clima e alguns costumes. Apesar disso, vocês gostariam de viver algum tempo no país da América do Norte? Em quais aspectos teriam mais dificuldade?

Ronnie Von – Eu não teria dificuldade alguma em morar no Canadá porque a cultura canadense vai muito ao encontro daquilo que eu acredito, como civilização e como proposta de humanidade. É claro que para nós latinos, já acostumados com o clima abaixo da linha do Equador, ou no meio dele, isso seria um pouco mais complexo. Mas, como eu gosto muito de frio seria “sopa no mel”. Eu gostaria mesmo! Ou ainda fazer uma viagem, por que não?

Leo Von – Eu e a minha esposa cogitamos morar no país enquanto estávamos nos Estados Unidos, porque o sistema americano é muito mais complicado para um imigrante viver. Nós vemos o carinho e a atenção maior que o Canadá dá a quem é recém-chegado, além de ter um sistema de saúde de primeira. O imigrante recebe apoio do governo para se integrar ao país e poder contribuir para o crescimento dele. A gente esquece que a América inteira foi construída por imigrantes. Então, sabendo disso, o Canadá abraça a ideia e tem todo esse respeito por quem chega para ajudar e somar. Eu também moraria no Canadá, pois adoro aquele frio maravilhoso e a neve, eu respiro muito bem no clima mais frio e iria comer maple syrup todo dia no café da manhã.

Ronnie Von com o filho Leo Von.

Wave – Você comandou o programa “Todo Seu” durante 15 anos pela TV Gazeta de São Paulo. Após a sua saída, surgiram rumores de que algumas emissoras queriam contratá-lo. Isso realmente aconteceu, você foi contratado ou está em negociação?

Ronnie Von – De fato eu recebi convites. Aliás, um convite bastante forte com um contrato extenso, para um programa toda quarta-feira, às 22h. Tudo isto aconteceu durante a pré-pandemia e tal situação acabou se tornando quase que um obstáculo. Eu não sei qual será a atitude comportamental das emissoras de televisão daqui para frente. As negociações não pararam em função da pandemia, mas depois dela é que eu quero ver se o raciocínio e a visão comercial dos diretores de TV irão continuar da mesma forma.

Wave – Qual o estilo de programa que você gosta de fazer? Você pensa em tentar algum novo formato?

Ronnie Von – O programa que eu mais gosto de fazer é a revista eletrônica, um programa multidisciplinar e que você pode abordar praticamente todas as coisas que te envolvem no cotidiano. Eu acredito que o objetivo da comunicação eletrônica, como é o caso da televisão, seja apoiada em um tripé. O primeiro deles é a informação, naturalmente, o segundo a prestação de serviços e o terceiro é o entretenimento, lógico. Mas, desde que não tenha pornografia, nem escatologia, que não tenha sangue ou sensacionalismo barato, porque isso para muitas emissoras brasileiras foi a linha mestre na tentativa de roubar audiência. Eu acho isso um horror! Eu poderia fazer alguma coisa diferente. Hoje existe a moda dos realities shows e eu só não gosto daqueles de confinamento, pois eu acho um absurdo, uma desumanidade, uma coisa horrorosa e que mostra o que existe de pior no ser humano – a cizânia, a confusão. Mas, talvez eu fizesse algum se fosse convidado, como tenho sido.

Wave – Você é um artista completo, que fez muito sucesso na metade dos anos 60 e também 70 como cantor, ator e apresentador. Ainda hoje é muito reverenciado pelos seus fãs. Como você avalia e retribui todo esse carinho do público ao longo dos anos? Você já passou por alguma situação inusitada ou até incômoda devido ao assédio?

Ronnie Von – Naquela época, eu comecei a apresentar um programa de televisão para a juventude, mas com um viés um pouco mais de conteúdo. Não era somente a coisa musical em si, mas com música experimental e subterrânea, algo meio underground, música psicodélica. E havia também um texto mágico e místico. Claro que eu passei por várias situações de assédio. Eu apresentei 13 programas de televisão, sendo que o último ficou no ar durante 15 anos. O que aconteceu foi o seguinte, havia um tipo de comportamento social na época muito diferente do atual. Hoje, em comparação ao início, quando o assédio era agressivo e, após eu ter apresentado esse programa que ficou 15 anos no ar, aquela mesma atitude que havia no começo da minha carreira voltou, só que de uma forma um pouco mais calma. Naquela época, eu passei por situações pavorosas como ser despido na porta da televisão, mesmo com toda a segurança e a polícia em volta. Tiraram toda a minha roupa, me jogaram na sarjeta. Imagina eu pelado, chorando e sem ter como fugir dali? Isso porque as pessoas queriam guardar alguma lembrança, então levavam a minha roupa, o meu sapato, tudo, inclusive a cueca. Eu tenho trauma dessa história até hoje. Também teve gente que se jogou do último andar do teatro com um bilhete amarrado, ou que dormia debaixo da minha cama, moças que ficavam dentro dos armários nos hotéis quando eu viajava, gente com tesoura no aeroporto para cortar o meu cabelo. Enfim, eu já passei por várias! E isso aconteceu com muita gente, mas as pessoas pensam que é ficção. Hoje isso ainda acontece, mas de uma forma mais branda, mais comportada. O carinho é o mesmo, e eu tento correspondê-lo de alguma maneira, apesar de saber que sou muito pequenino para retribuir tanto amor. Mas eu tento, pode ter certeza!

Wave – Você é uma referência ao Leo Von, é um artista completo e com muita experiência nesse universo das celebridades. Quais os conselhos que você dá ao seu filho para que ele possa ter uma trajetória de sucesso?

Ronnie Von – Primeiro de tudo, eu acho que ele deve ter a humildade. Eu digo para ele não se deixar contaminar pelo sucesso e pelo poder, que afetam a existência de um homem. Eu quero que ele seja focado no seu oficio, pois ele é talentoso. Essa é uma atividade que ele pode somar, nunca dividir. O que eu penso de fato é que nesse tipo de mistér ele precisa se sentir um missionário, e imaginar que tanto as pessoas que o seguem, como aquelas que eventualmente não o fazem, poderiam estar com ele a qualquer tempo. É só não deixar se envaidecer, enlouquecer e ter esse tipo de comportamento que é tão comum hoje nas celebridades. Celebridades entre aspas, porque dura muito pouco.

Wave – A carreira musical do seu pai influenciou na sua escolha profissional? Como isso aconteceu?

Leo Von – Sinceramente, eu não sei. Talvez eu tenha tido uma forte influência inconsciente, pois desde que eu nasci esse era o tipo de ambiente em que eu estava exposto. Eram os amigos do meu pai que vinham em casa, era o ônibus que vinha deixá-lo das turnês, enfim, eu vivia sempre rodeado por um ambiente musical. Então, isso pode ter me influenciado de certa forma, afinal é tudo muito familiar para mim. Desde muito pequeno eu sempre gostei muito de ouvir música e comecei a minha carreira com uma banda cover dos Beatles, provavelmente porque o meu pai era um grande fã do grupo. Então, de certa forma, isso me levou a perseguir esse sonho, que inclusive o meu pai foi contra no começo. Eu fui me interessar pela carreira musical do meu pai de fato quando era maior, com treze ou quatorze anos, e me apaixonei pela discografia dele e comecei a pesquisá-la.

Wave – Como você define o seu estilo musical e quais os cantores nacionais e internacionais que foram as suas referências?

Leo Von – Hoje eu tenho feito um estilo mais voltado ao pop brasileiro. Depois que eu retornei dos Estados Unidos, assinei com uma gravadora brasileira e nós começamos a traçar um plano de carreira mais voltado ao Brasil. No começo, fizemos uma música em inglês e uma em português para ver o que iria rolar. E a música em português foi melhor. Então, eu estou entrando nessa onda aqui do Brasil, que mescla um pouco de folk pop com MPB. A gente brinca que é um pop MPB, dentro dessa good vibes que está rolando por aqui. Mas, a minha grande influência e paixão foram os Beatles. Foi com eles que eu aprendi a amar música, a compor e a tocar os instrumentos. No Brasil, a minha maior referência é o meu pai mesmo, principalmente com a parte psicodélica e o rock and roll que ele fazia. Além disso, eu gosto muito de Raul Seixas e dos Mutantes.

Wave – Você morou durante alguns anos nos Estados Unidos. De que maneira essa vivência no exterior foi importante para a sua carreira como cantor e produtor?

Leo Von – Eu acho que foi nos Estados Unidos que eu me descobri como pessoa. Aqui no Brasil tem a questão de sempre me colocarem ao lado do meu pai. E fica sempre aquela coisa: “Ah, o filho do Ronnie Von fez isso e aquilo…”. Então, você nunca sabe se aquele destaque que você tem é por esse motivo ou por algum talento que você pode oferecer de fato. Nos Estados Unidos, eu descobri que não precisava do nome do meu pai ou do sobrenome da família para crescer. Ali eu vivi durante cinco anos como músico, fiz diversos projetos diferentes como cantor, comecei a produzir e, com isso, eu cresci bastante. Eu toquei com Tito Puente Jr. e com o com o Alan Parsons Project, também abri o show do Eletric Light Orchestra, ou seja, fiz coisas que no Brasil provavelmente eu não conseguiria, com ou sem o meu pai. Então, essa vivência no exterior me deu a confiança e a certeza que eu faço algo legal.

Wave – Quais as diferenças para você entre cantar e produzir. O que você mais gosta de fazer?

Leo Von – O que mais eu gosto de fazer é show ao vivo. Essa é a minha grande paixão, é onde eu tenho mais desenvoltura, é o meu ambiente. Já a produção é algo que eu sempre fiz, mas de uma maneira despretensiosa. Agora com a quarentena é que eu comecei a levar mais a sério e lancei o meu primeiro projeto como produtor, com o Mr. Jam e o Paulo Jeveaux. É muito gostoso produzir também, mas acredito que a música ao vivo é ainda onde eu me saio melhor.

Wave – Quais são os seus próximos projetos?

Leo Von – Eu darei sequência ao que comecei no final de 2019, com a minha música “Viva o que Vive em Você”. Essa canção foi o meu primeiro lançamento em português, está indo muito bem, começou a tocar na rádio brasileira Transamérica. Também estou começando a formatar um projeto a longo prazo com essa rádio para crescermos juntos. Então, estamos estruturando os próximos passos e temos bastante músicas para gravar e lançar. No momento, o foco é me estabelecer no Brasil. Porém, como eu tenho muita facilidade com o inglês, pretendo estender a minha carreira para países como: Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e outros.

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